Docência na Atualidade Brasileira: rastreando controvérsias acerca do movimento Escola Sem Partido

Julio Cesar de Almeida Nobre, Ivanete da Rosa Silva de Oliveira, Marcos Paulo dos Anjos Corrêa de Carvalho, Amanda Braga dos Santos, Matheus Pires Andrade

Resumo


O movimento Escola sem Partido (ESP) teve sua origem por meio da veiculação de um site em 2004, porém, assumiu ampla visibilidade somente no ano de 2014 com os projetos de lei que passaram a tramitar no Congresso Nacional em sintonia com a respectiva temática. Em nome da defesa da liberdade de expressão, lideranças do ESP argumentam que o ensino deveria ser realizado exclusivamente com o objetivo da produção e difusão de conhecimento. Para tal, defendem a neutralidade nesse processo, argumentando pela abertura às diferentes abordagens investigativas e justificando seus posicionamentos com um suposto cenário da educação brasileira, onde um significativo número de docentes dotados de concepções políticas agiria com intenções de doutrinação dos seus discentes. O ESP divulga, em seu site, os diversos projetos de lei que tramitam pelo país com a respectiva temática. Tais projetos demonstram a abrangência do movimento na medida em que circulam nas dimensões federal, estadual e municipal. Parece que a atualidade da educação brasileira e, mais precisamente, os próprios contornos da docência, vivem momentos de intensa controvérsia. Qual seria o papel do professor na educação do país? Vemos controvérsias que circulam em um cenário que mistura mediadores diversos. Articulam-se a política, os professores, a grande mídia, pesquisas, alunos, o direito dentre outros. A fronteira da docência parece ser uma questão atual a ser respondida e definida por tal coletivo. O presente artigo, portanto, objetiva desenvolver uma cartografia descritiva da produção dos contornos daquilo que se entende por docência na atualidade brasileira. Busca-se evidenciar as redes heterogêneas de mediações que a produzem.

Palavras-chave


Escola Sem Partido. Docência. Teoria Ator-rede

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